Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Das crenças e contradições

Já sei que não retornas mais. Fui abandonado para sempre, e mesmo assim supliquei a ti. Rezei todas as orações, mas você não me ouviu. Ninguém conseguiu levar minha mensagem, enquanto você assistia placidamente minha tristeza. Admirava sua própria superioridade plácida, cultivando teu insólito silêncio, calcado de apatia... Você não veio enxugar minhas lágrimas pelo simples gosto de se sentir superior aos meus sentimentos banais.

Já sei que minha calúnia não se resume à dúvida ou incertezas... Meu acreditar briga com minha racionalidade, que, por sua vez nem sabe mais o que são sentimentos. Mas minhas lágrimas se findaram e você continuou a observar-me nu, entronado entre as nuvens do outono, sem se importar com minhas fragilidades mundanas.

Já sei que pra ti sou o nefando verme que impediu adão de provar plenamente o sabor do fruto. Mas agora não vou mais para o inferno, pois suas asas queimaram-se ao perceber minha indiferença. Sua beleza foi maculada ao tocar o barro dessa terra... nem ao menos teu corpo era mais digno de adoração.

Já sei que sou o seu alvo... Mas eu compreendo a tua indignação, e sinto muito por não poder fazer nada. O que fazer para ajudar um ser perfeito que caiu em maldição pela própria contradição dos atos? Te ofereço essas flores de palavras, um gesto humano, simples e banal. Ofereço-te um beijo perdido.

Domingo, 12 de Julho de 2009

O Diário de Teegoh – Semana 16

Há tempos não me deparo com o prazer de um gesto. Não há nada que me mostre um belo ato. Não há mais histórias, passado ou futuro. Se há amor, não sei mais onde encontrar. Estou aqui por conta de uma loucura... Vivo entre dementes seres que se julgam heróis de verdade. Suas roupas são verdes acinzentados, para esconder o tanto de sangue que já derramaram em nome de qualquer coisa.

As salas da penumbra enchem-se e esvaziam-se em uma velocidade incrível. Poucos saem com vida da sala 13, e aqueles que saem não retornam tão cedo para os alojamentos pois passam dias, as vezes, semanas em algo que chamam de enfermaria (mas um matadouro deve ser mais limpo do que aquilo). Às vezes tenho vontade de escrever tudo o que vejo, mas não é possível descrever o fedor de carne humana sendo queimada depois de apodrecida.

Uma vez escalado para esse alojamento, homens chamados de soldados tornam-se arautos da morte, mas eu tento me manter lúcido para tentar encontrar nas palavras o sustento que me mantém vivo na busca pelo Pierre. A idéia do sorriso dele, idéia que se transforma em energia ao tocar os meus pensamentos, já não é mais tão nítida como antes. As noticias ou possibilidades extinguiram-se. Enfim, T.

Sábado, 11 de Julho de 2009

A inversa coincidência das cores

(ou a brincadeira do acaso)

Sou a busca no teu silêncio das respostas que não chegam
Sou as contas do bêbado que perdeu o caminho de casa
Sou a contraditória inquietação de final de domingo
Sou a besta atemorizante de mim mesmo todos os dias

Sou o contrário das tuas cores
Sou a outra parte na balança.

Aquele que não te equilibra, que te desconcerta,
Aquele que te leva à inquietação, à desordem,
Aquele que te mostra a ousadia de um sim
Aquele que brinca de inconstâncias

Sou o contrário das tuas cores
Sou a outra parte na balança.

Sou o avesso de ti em palavras retas ou tortas
Sou o outro lado de um círculo perfeito
Sou o Tigre e você é o avesso ou
Sou o Dragão e você: o oposto

Sou o contrário das tuas cores
Sou a outra parte na balança.

Aquele que sou, é afeto azul.
Aquilo que é, é inquietação vermelha.
Somos o que quisermos ser.
O que somos?

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

O Diário de Teegoh – Semana 15

Nessas celas, que dizem ser alojamentos (mas que são celas de condenados à loucura de poucos) estou entre tantos outros. O cheiro de sangue seco se mistura ao da terra maltratada pelos pés rápidos de soldados e presos. Sei que, na perspectiva de alguns, já aprontei muitas maledicências, mas o que eu vivencio aqui não é digno de memória.

Aqui vivem a contar o desconhecido. Eles, os prisioneiros, não sabem se dia ou noite é. Quando voltam a ver a luz do sol pensam ter encontrado o paraíso, mas isso até perceberem que estão indo para a sala 13. Tão agourado é este número desde a época das bruxas ou mais para além.

Talvez seja ironia do acaso, mas quem entra na sala 13 pode sair de lá em livre espírito, deixando por vez de vivenciar o que temo ainda ser apenas o começo de tamanha bizarrice. Mas nem todos têm a mesma sorte. Formando um rastro de sangue e sofrimento, saem os que respiram num fio de vida, carregados entre os braços de homens e marcas. Irreconhecíveis. Sozinhos. Enfim, T.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Cidades e vilões

Minha intuição se revela hoje como prelúdios de agouros. Fados são cantados sob o negro da noite enquanto as estrelas são ofuscadas pelas brumas deste inverno de solidão. Enquanto isso a relatividade mescla-se com a racionalidade. Teorias mesclam-se com o pragmatismo. E o que somos nós no meio de tudo isso?

São sempre intempestivas as revelações que nos são proferidas. São tão fortes que nos causam náuseas e, muitas das vezes, expurgamos entre lágrimas e soluços, nossa indignação por sermos tão medíocres. Mas há uma beleza em percorrer o caminho do desconhecido... por quantos de nós mesmos já tevemos a oportunidade de nos depararmos no cotidiano?

Dizem que há uma importância em se auto entender por caminhos um tanto conturbados. Eu acredito que isso seja importante. Mas, as respostas que nos dão são capazes de te satisfazernos por completo? Se houve algo “alá Freud” que nos motivou a ser quem somos, eu te pergunto onde se encontra os seres que somos hoje? Pois a revolta pode ter motivado certos caminhos, mas o como caminhamos por ele deve ter importância, não?

Doce é o perfume que sinto ao te perceber por perto, mesmo que em pensamento. A ligação entre as pessoas não é algo simplesmente ocasional, mesmo quando tenha surgido através de um possível acaso. A cumplicidade, o carinho, a vontade de ser melhor e de completarmos um nos outros não faz referência à um passado, são reflexos, acima de tudo, do cuidado que temos em construir algo nosso.

Não sei aonde tudo isso se findará. Confio no meu amor, contudo. Sei que nestas cidades não somos vilões, afinal talvez eles nunca existiram nesta cidade... são apenas histórias para ajudar-nos a não perder o fio da vida, e não assustarmos ao percebermos que apesar de todos os pesares, somos verdadeiros heróis ao cruzar esses mares todos e poder dizer com um sorriso no rosto o “eu te amo”.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Outro Lado

Eu sei... muita coisa passou. Hoje acho que não sou quem esperavas.
Não sou mais o mesmo... não teve jeito, o tempo também por mim passou.
Também por ti ele passou! Foi quando aprendi a ver a tua relíquia.
Se ao menos eu pudesse te dizer, mas me custa acreditar no que vejo.

Pode falar... não há mais em mim aquele encanto indescritível,
Ou aquele conjunto de ingênuos acordes que criamos sobre nós mesmos.
Em algum momento uma idéia etérea fora destruída pela realidade cotidiana,
Ou então até daquilo que mais acreditávamos, perdeu-se em um lugar qualquer.

Mas, eu acho que talvez eu estive muito errado ultimamente.
Andei por ai. Tentei encontrar-te, mas agora vejo que não achei nada.
Devo ter me perdido em algum momento, talvez por desatenção,
ou por algum outro motivo banal. O que dizer? Ou melhor, o que fazer agora?

Será que o acaso quisera apenas passar seu tempo a pentelhar um desventurado?
Deram-me flores perfumadas, que recebi com muita cautela. Tive medo!
Mas, aos poucos fui me abrindo para aquele delicioso perfume de palavras.
E eu, entorpecido por tanta beleza, caminhei no Olímpio. Sorri, enfim...

De fato, aquelas flores não tinham espinhos. Eram belas e de suaves cuidados.
Foi então que a integridade de um sonhador banhou-se na fonte da esperança.
Mas apenas até retomar à realidade e perceber que entrava em um pesadelo...
E teimar com o intocável, não é mais algo que sinto ser possível.

Enfim...
Sair por ai já não basta mais para mim,
afinal, não vou encontrá-lo.
Talvez?

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Conhecer-se e quase ter um ataque dos nervos

Aviso:
Este texto pode ser literal ou metafórico ou as duas coisas ou ainda uma outra qualquer...

Eu acho que sou um rapaz que sempre buscou se alto criticar no intuito de buscar “auto-conhecimento”, ou, perceber-me minimamente. Às vezes, eu sei, até exagero um pouco. Contudo, mesmo assim, deparo-me ao olhar-me nos espelhos da vida com uma figura que de nada me agrada.

Quando isso acontece, num primeiro momento, evidentemente, o alvo é o aparente, afinal, estamos falando de olhar-mos nos espelhos. Depois dessa primeira impressão, que é por si só um tanto traumática quando o que se vê não é em nada o desejável, tento continuar os meus afazeres como se nada tivesse acontecido, mas o meu mundo particular ganha outra perspectiva mesmo eu buscando cuidar do meu cotidiano da forma mais pragmática que é possível.

Mas, confesso que não dá muito certo: são as roupas que parecem não cair bem, as fotos recém tiradas onde o rosto pode ser muito bem confundido com uma bola de basquete, e, pior de tudo, ainda tenho que escutar pérolas que só te faz pensar exatamente o contrário do que se foi dito ou pensar que a pessoa ou tem problema nas vistas ou está tentando ser “simpática”.

Para completar o quadro, ao pensar que poderia tomar uma postura efetiva para reverter uma situação como essa (que me causa muita chateação e irritação, por sinal) eu sempre acabo no discurso do bom crítico e péssimo “executador de melhorias”... E, pior! Isso é quase como um ciclo vicioso de um auto-flagelador, pois, se no princípio, era o físico que não agrada, o cotidiano torna-se uma briga ferrenha minha contra eu mesmo em quase todos os aspectos.

Veja bem, eu nunca fui de me preocupar com a forma física, na verdade, meus cuidados são voltados muito mais para saúde. Mas, hoje o que me irrita mais são as minhas atitudes que cominaram nessa insatisfação... atitudes de um rapaz que tanto presa a consciência mínima de si mesmo e percebe-se jogado a um cotidiano caótico transformado por ele mesmo.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

O Diário de Teegoh - Semana 14

Ontem recebi uma carta de minha mãe. Foi a primeira vez que percebi o quanto ela me é querida. Não sei se um dia eu admitirei isso a ela, contudo, já me satisfaço com o fato de percebê-la como eu a percebo. Infelizmente isso não faz com que os meus dias se tornem melhores. Tento esquecer os horrores que tenho vivido, mas minhas noites são atormentadas por pesadelos que conseguem destorcer a realidade para algo ainda mais bizarro.

À medida que os dias se findam minhas esperanças parecem estar muito além de onde ainda se enxerga a luz do farol. Não vivo mais entre homens, são bestas fedidas e moribundas que me cercam e eu não tenho para onde fugir. Tento manter minha sanidade nas ironias deste mundo medíocre e nas escritas deste diário para quem sabe um dia eu volte aqui, ao ler essas palavras, mas como uma história que teve um bom final.

Minha mãe quer que eu vá para a Europa. Eu já estaria lá mesmo sendo o mundo todo contra, mas, de fato, não posso sair daqui, pois parte de mim ficaria. Preciso achá-lo! Apenas assim poderei talvez reconquistar um pouco de paz. Talvez eu parta esse fim de semana. Sair do quartel não é difícil, afinal, morei entre fazendas toda minha vida e lidar com animais perigosos, porém acéfalos, não é um desafio difícil para mim. Afinal, tenho notícias de um novo cativeiro de prisioneiros e dizem que lá estão os boêmios da primeira investida. Ele deve estar lá. Enfim, T.

Sábado, 16 de Maio de 2009

As desordens do silêncio

Entre as cobertas enrugadas de uma cama não feita, sonhos e expectativas movem-se silenciosamente. Algo brinca em meus pensamentos: são quase imperceptíveis, mas, ao mesmo tempo, totalmente ensurdecedores os sons que reverberam o titilar de cada idéia a se construir, de cada personagem a se desenvolver, de cada rima não concretizada por ignorância ou limitação.

A inconstância dos atos faz com que os erros tornam-se constantes admiráveis e eu brinco de ser quem não e assim perco um pedaço de mim em cada corpo mal repousado, em cada alma que conheço o cheiro perdido... o que sobra são idéias e perspectivas que crio. Não vejo ninguém, vejo apenas o que quero ver, até quando um qualquer petulante me traz de volta para o navio dos condenados.

Meus travesseiros coloridos e pesados... não mais bastava ser apenas um para tantas pessoas habitando uma única mente. E o que falar dos homens? Eles estão por ai, a buscar um pouco de pecado entre as palavras mal contadas de um contador contaminado de virtudes. O que falar dos anjos? Eles não me ouvirão contudo. O que falar de mim? Não pergunte, pois não gostaria de saber.

Mas, se teima em um dia sentir-me, levo as flores das tuas idéias e, em troca, construo você em um molde perfeito de falsas idéias. Minhas ilusões se desfazem ao primeiro risco no papel, suas curvas não são tão belas como as que eu vi... ou sonhei... ou quis ver... Mas, para tudo se há algo a guardar! Não é isso que dizem? Se teimares em ainda querer saber o que eu sou, posso dizer que parte de mim é ousadia, parte de mim é arrependimento.

Domingo, 10 de Maio de 2009

O Diário de Teegoh - Semana 13

Os dias por cá delongam-se imensuravelmente! O treinamento de tão intenso que é faz com que a própria palavra “intenso” pareça não servir para demonstrar o quanto é a minha sensação de esgotamento. Minhas palavras são vagas por conta disso. Começo a não sentir os dedos dos meus pés. O inverno começa a castigar os vigilantes e, penso ao borrar essa folha neste quase breu de quarto de quartel, que eles - os estudantes - não têm chance alguma contra essa brutalidade que nos transformam aqui.

Meus dedos parecem mais com grandes caramujos, de tão inchados e tingidos de sujeira e óleo... Irreconhecíveis são meus dedos e minhas mãos, aqueles mesmos que conheciam a sagacidade do escape entre teclas do piano, e hoje, empunham armas nas trincheiras de suor, sangue e horror. De todo modo, não devo reclamar, pois daqui uso o meu anonimato para procurá-lo, mas por tantas vezes sinto-me tão exausto que não tenho forças para grandes empreitadas secretas.

Tive algumas supostas pistas, mas, infelizmente, findadas em decepções. Talvez mais sabe o jornalista petulante, que vive atazanando a vida dos generais, do que um mero peão como eu. Mas, se por um lado, não nos informam de nada à não ser quando é hora de ir para os frontes, tenho como vantagem a indiferença e a subestimação que fazem de mim. Enfim, Teegoh

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Papéis que voam

Ando por ai, meio sem jeito, meio sem rumo...
Tentando te encontrar no silêncio, no escuro.
Busco tuas palavras escassas, em desenhos livres
Ou os beijos perdidos no meu corpo, teu cheiro.

Canto o canto perdido, pois a saudade dói...
Enquanto isso, busco olhar para o céu de veludo;
Contar as gotas do dia sem tua presença... enfim,
Cubro-me das lembranças dos dias prometidos.

Mas, se não bastar ser aquele que sou
Para quem sabe a sorte trazer-me enfim
a relíquia da tua companhia e textura...
Morrerei nos braços do vento alheio

E eis assim, uma profecia não dita,
o destino se fará ventríloquo de louco
como santo e devasso, a história triste
num papel qualquer, que nunca existiu.

Sábado, 25 de Abril de 2009

O Diário de Teegoh - Semana 12

Essa página está com bastantes borrões, por conta das nunca vistas lágrimas de Teegoh, Além disso, ela foi rasgada possivelmente pelo próprio, extinguindo de vez os possíveis dois primeiros desta escrita. Esse ato é lamentável para nós, mas, para ele deve ter sido um alívio não ler suas próprias palavras outra vez sobre o acontecido censurado. Portanto, respeitemos isto! Mas, no fundo, o que todos querem é saber o que de tão arrebatador aconteceu para ele arrancar suas próprias palavras do sincero e secreto caderno.

[...] amo.

Mas agora é hora de acordar! Estão reforçando os frontes, vão designar para lá mais “homens corajosos” (os mais alienados, que não vêem que a melhor luta é aquela que travam os que usam a inteligência ao invés das forças e armas de matar). Não sei o que vou fazer, minha mãe quer que eu vá para longe, mas não quero ir para lugar algum. Nada faz mais sentido agora. Há corpos de rapazes espalhados em frente da academia! Sangue humano, de homens bons, lava o chão daquela calcada por conta de ideologias fajutas!

Porque tudo esta acontecendo desse modo tão rápido e tão avassalador? Eu me julgava um rapaz avantajado e mais centrado, mas, ao deparar-me com a morte, percebi que sou uma migalha de nada, como qualquer um... Não gosto de chorar, nunca vi motivo para tal lamentável ato, mas não consigo recolher minhas lágrimas neste momento. Enfim. Teegoh.

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Quando parece não haver mais amor

O que fazer quando o amor brinca de ser imaturo?
O que fazer quando perdemos a noção e a sensibilidade?
Ou quando somos “sensíveis demais”?

O que fazer quando o amor decide ser coisa qualquer?
O que fazer com tantas chateações e hipóteses?
Ou quando nos maltratamos retoricamente?

É tempo de ser quem somos!
Mas quanto vale o meu abraço?
Digo o que sinto e te assusto, te poupo,
te magôo mais e mais mais
Não mais, Não mais, Não outra vez

O que fazer quando o amor se torna impaciente?
O que fazer quando não nos reconhecemos um no outro?
Ou quando somos desconhecidos íntimos?

O que fazer quando o amor não parece mais amor?
O que fazer quando a distância torna-se maior?
Ou quando pensamos que ela maior que nós?

É tempo de ser quem somos!
Mas quanto vale o meu abraço?
Digo o que sinto e te assusto, te poupo,
te magôo mais e mais mais
Não mais, Não mais, Não outra vez

Isso machuca muito. Não posso mais te dizer o que se passa
Pois, não há mais sentido em nada. Quero sentir o seu abraço
Mas parece que há algo errado! Algo inominável e errado!
Não! Por tudo! Não dá pra ser assim, pois assim não sou eu.
O que fazer?... Não sei.

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

O Diário de Teegoh - Semana 11

De todos, o único que não voltou foi Pierre. Ninguém sabia o que podia ter acontecido com ele. Mas, isso já era de se esperar, afinal, pedir para lesmas andar para trás seria mais produtivo. Não tive escolha, me alistei no governo! Não posso deixar o homem que me ensinou o que é o amor perder-se nas mãos de tolos, filhos da mãe.

Alistei-me sim! Mas não compartilho das ideologias nem dos revolucionários tampouco do governo. Quero rever Pierre ou, na pior das possibilidades, dá-lo um enterro digno. Não sou e nem quero bancar o herói. Armas, as minhas mãos não vão carregar. Serei vulto como a noite, e espraiarei pelos corredores do governo buscando pelo meu amigo.

Amanhã abandono a academia, pelo menos até isso tudo acabar. Pois aqui agora serei visto como o traidor. Um dia talvez eles me entendam. Se isso não acontecer, pouco me importa de qualquer modo. Enfim. Teegoh.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Sillenccium Familiari

Não se dorme mais nessa casa.
O silêncio é demasiado grande,
Demasiado ensurdecedor.

Amamos-nos,
Sei que nossa mãe tem bons conselhos para nós.
Mas nem sempre são doces suas palavras
Tento agradar a todos. Esqueço de me agradar
Perdido eu fico, mas me lembro que
Amamos-nos,

Somos crianças querendo nos ajudar umas as outras
Andamos de mãos dadas, mas não nos olhamos
Faltam-nos as palavras. Falta-nos a coragem de dizer
As coisas simples e de dizer o complicado “eu te amo”.

Amamos-nos,
Sei que nosso pai nos ama, sem demonstrar.
É difícil entender nossas atitudes, neste momento
Quando no fundo, nossa vontade é de se abraçar,
Esquercer o mundo e os problemas e dizer que
Amamos-nos,

Mas hoje ainda não é o dia
O silêncio faz com que aprendamos,
Com o salgado das lágrimas.
 

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